... vai ausentar-se para férias! O nosso regresso trará necessáriamente novidades: na palavra, na dança, na imagem. Fiquem bem! Eu agora vou com as aves... :)

"Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses."
António Ramos Rosa


Vivo no alto de uma colina
de onde observo as ondas
que me molham os pés.
Todos os dias abro uma janela
e deixo entrar o amanhecer.

hoje apetece-me a beleza de uma flor
apetecem-me as suas pétalas
o seu perfume.
numa flor há o sorriso de um olhar
o brilho inexplicável de uns olhos
a ternura de uma criança que faz beicinho, inho-inho
um instante no labirinto do tempo.
há o beijo de dois apaixonados!
uma flor sabe que é flor?
sabe a flor que possui perfume?
as mulheres sabem que são flores?

senti-te no sabor da brisa quando olhava a espuma das ondas, do alto das fragas, tantas vezes nos disse palavras intensas, e quando ele entrava, o amor imenso, fazia-nos estremecer, e nós, sem resistência, entregávamo-nos ao fogo da sua vontade perdidos nos braços dos beijos inefáveis.


"O maravilhoso sapatinho facetado afastava-se em várias direcções."
André Breton
De manhã ela aflorou o quarto de mansinho e disse: "Bom dia, princesa!"
A seguir, pegou numa pétala de rosa e suavizou os lábios acariciando.
Lembrou-se dele, do beijo de ternura das pétalas. Ah, poder abraçar o bosque na sua plenitude, na imensidão de seres que respiram a sua tranquilidade.
E depois: "vestidinhos, vestidinhos... risinhos de crianças e vestidinhos."



Libera-te e parte, esvoaçante azul
este bailado de palavras
é uma coreografia de segredos esparsos, os nossos
porque um beijo chama sempre duas mortes
neste horizonte que se persegue e não se alcança
e apaga-se uma vela e outra vida fica
no olhar do anjo que nos fita
e conjuga-se nascimento com morte
sempre que se olha e diz



sabes
a cereja apetecida nos lábios do amor
amadureceu hoje na vaga de carícias
delícias no mar, deleite e ouro, brilha na pele.
já as maçãs verdes e os dedos melados,
húmidos, passeando no íntimo, ah! ardor,
fizeram acesos 'estragos'.
Paulo, Junho de 2006










«...Y' avait tant d'étoiles...»
a actriz Anouk Aimée,
imagens do filme "Un Homme et une Femme", de Claude Lelouch


les regards


e de onde vem? nasce de uma sementinha?
também toma banho? e come sopa?
o quê? onde vais pôr o teu irmão?
o eco.ponto , quando é bebé, usa fraldinha? o eco.ponto tem sonhos?
e tem papá e mamã? o eco.ponto gosta de ir à praia?
tem mãos e pés, e anda de metro?
é verdade que a Carla tem um eco.ponto vermelho, do benfica?
onde é que Zazie e o musaranho coxo guardam o eco.ponto pequeno? existem eco.pontos insufláveis?
é verdade que a Maria tem um eco.ponto pequenino? e a Jacqueline? e a Cláudia?
é verdade que a Claire Lunar tem no jardim vários eco.pontos espaciais, expressionistas, concebidos em 'Dune', também conhecido por planeta Arrakis e centro do universo?
será que o eco.ponto também gosta de comer torrãozinho d'Alicante? e gelado de chocolate?
o eco.ponto também pede colinho?
ai! caiu-se tudo!

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Pierre Auguste Renoir - 'La dormeuse (La baigneuse endormie)' - fragment
oil on canvas, 1897, 66 x 81 cm
Oskar Reinhart Collection, Winterthur


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Pierre Auguste Renoir - 'La dormeuse (La baigneuse endormie)'
oil on canvas, 1897, 66 x 81 cm
Oskar Reinhart Collection, Winterthur

F. Listz - 'Un Sospiro' - consolation - etude de concert no. 3 in d flat
Claudio Arrau - Piano


Em homenagem às lindas princesas que nos visitaram no post anterior, escolhi três peças musicais da época. As duas primeiras são da autoria do seu irmão, Thomas Linley, e pertencem à “Lyric Ode on the Fairies, Aerial Beings and Witches of Shakespeare”.
A celebração do jubileu de Shakespeare organizada por David Garrick em 1769 serviu de impulso para este trabalho. A única representação durante a vida do compositor ocorreu a 20 de Março de 1776, no teatro real de Drury Lane. As irmãs de Linley, Mary and Maria participaram. Acredita-se que o dueto “For who can wield like Shakespeare’s skillful hand...” foi escrito explicitamente para elas.
O libretista de Linley era o seu amigo de infância, French Lawrence. Lawrence utilizou um poema da sua autoria, escrito em 1773 para uma competição escolar, adaptando-o para que pudesse servir o fundo musical de Linley. A primeira parte da ode inclui uma dúzia de estrofes em louvor do poeta de Stratford-on-Avon, enquanto que a segunda parte — que é substâncialmente mais dramática — evoca as personagens de Shakespeare, incluindo as fadas de “A Midsummer Night’s Dream”, as bruxas de “Macbeth", e Ariel de “The Tempest”. “Ariel, who sees thee now?” é rico em ‘coloratura’ para o soprano e soberbamente decorado por um virtuoso ‘obbligato’ para oboé.
A terceira peça “Et Incarnatus Est” faz parte da “Great Mass in C minor, K.427”, de Mozart.
Elizabeth , de pé no quadro de Thomas Gainsborough, parece estar perdida em pensamentos e afigura-se-nos mais meiga e sonhadora, e talvez mais tímida do que a irmã Mary, que nos observa olhos nos olhos e que parece ser mais alegre e espirituosa. Gosto de imaginar Elizabeth a interpretar “Et Incarnatus Est”, dotada de uma doce e lindíssima melodia, enquanto Mary interpreta “Ariel, who sees thee now?”. O dueto “For who can wield like Shakespeare’s skillful hand . . .” poderia bem ser interpretado pelas duas irmãs, Elizabeth e Mary Linley.

Linley: A Lyric Ode - "Ariel, who sees thee now?"
Julia Gooding, soprano
The Parley of Instruments Baroque Orchestra - Paul Nicholson
Ariel, who sees thee now
Upon the bat's wing sail along the sky?
Who sees thee sit upon the blossom'd bough,
Bask on the rose, or in the cowslip lie?

Linley: A Lyric Ode - "For who Can Wield Like Shakespeare's Skillful Hand?
Julia Gooding, Lorna Anderson, sopranos
The Parley of Instruments Baroque Orchestra - Paul Nicholson
For who can wield like Shakespeare's skilful hand
That magic wand, whose potent sway
The elves of earth, of air, and sea obey?

Mozart - Great Mass in C minor - "Et Incarnatus Est"
Arleen Auger, soprano
Bavarian Radio Symphony Orchestra - Leonard Bernstein
Et incarnatus est
de Spiritu sancto ex Maria Virgine
et homo factus est.
S’est incarné
du Saint-Esprit et de la Vierge Marie
et s’est fait homme


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